O orçamento familiar com filhos é o plano de despesas de toda a casa: rendimentos e custos dos dois pais, compromissos fixos e as despesas variáveis dos filhos. Segundo o INE (Inquérito às Despesas das Famílias 2022/2023), um agregado em Portugal gasta em média 23 900 € por ano, perto de 1 992 € por mês. Sem ver essas despesas num só sítio, é difícil dizer para onde vai esse dinheiro.
O essencial
- Um agregado gasta em média 1 992 € por mês (INE, IDEF 2022/2023), e a habitação leva 39,3% disso
- As maiores armadilhas: despesas anuais escondidas (regresso às aulas, seguros, IUC, IMI), a quebra de rendimento na licença parental e a inflação do estilo de vida
- Os 14 pagamentos do ano, com os subsídios de férias e de Natal, são a forma mais natural de alimentar um fundo anual para os filhos
- Junta as contas dos dois pais numa só vista. Sem isso, o orçamento da família fica sempre com metade das despesas
- Cinco minutos por semana chegam, se tiveres uma ferramenta que recolhe sozinha os movimentos de todas as contas
Quanto custa, de facto, uma família com filhos em Portugal?
A despesa total média de um agregado em Portugal é de 23 900 € por ano, cerca de 1 992 € por mês, segundo o Inquérito às Despesas das Famílias do INE (2022/2023). É a média de todos os agregados, com e sem filhos, por isso serve para situar a tua casa, não para a medir.
Do lado dos rendimentos, a mediana do ganho mensal líquido foi de 980 € em 2024 (INE): metade de quem trabalha ganha menos do que isso. Dois pais com ordenados medianos somam 1 960 € por mês, praticamente o mesmo que a despesa média de um agregado. A margem é fina, e os filhos vivem dentro dela.
Onde vai a despesa média de um agregado em Portugal (INE, Inquérito às Despesas das Famílias 2022/2023; valores mensais calculados a partir de 1 992 €).
| Categoria | Peso na despesa | Por mês | Notas |
|---|---|---|---|
| Habitação | 39,3% | 783 € | Renda paga ou imputada, água, luz, gás |
| Alimentação | 12,9% | 257 € | Supermercado, sem restaurantes |
| Transportes | 12,1% | 241 € | Combustível, passes, portagens, carro |
| Todo o resto | 35,7% | 711 € | Filhos, saúde, roupa, lazer, restaurantes, seguros |
De onde vêm estes números?
O Inquérito às Despesas das Famílias (IDEF) é o inquérito do INE ao orçamento das famílias e faz-se de seis em seis anos; o último é o de 2022/2023. Mede a despesa efetiva de cada agregado, por isso a habitação pesa mais aqui do que nas contas nacionais. Os valores por mês da tabela são simples contas a partir da média anual. O teu orçamento vai ser diferente, e é por isso que medir as tuas próprias transações vale mais do que conhecer a média.
Orçamento familiar: quatro números que vale a pena conhecer
Fontes: INE, Inquérito às Despesas das Famílias 2022/2023, INE, ganho mediano mensal líquido 2024 (via EDUSTAT), INE, Contas Nacionais Anuais 2024 (via GEE)
As três armadilhas do orçamento familiar com filhos
As famílias com filhos têm três armadilhas de orçamento que um casal sem filhos quase não sente. Nenhuma aparece como alarme no resumo do mês; todas aparecem no saldo.
Armadilha 1: as despesas anuais e sazonais escondidas
O material e a roupa do regresso às aulas em setembro, os campos de férias no verão, as prendas de Natal, o seguro do carro, o IUC, o IMI da casa, a inscrição anual na natação. Nenhuma destas despesas, sozinha, parece grande. Juntas, formam um bolo que não cabe no plano mensal, porque o plano mensal não as vê.
A solução é tratá-las como uma despesa mensal que só se paga de vez em quando. Cria uma categoria "Fundo anual dos filhos", soma o que gastaste com estas despesas no último ano, divide por 12 e transfere esse valor todos os meses. Por exemplo, 100 € por mês dão 1 200 € quando setembro chegar. Em Portugal há uma ajuda natural: o ordenado é pago 14 vezes por ano, e os subsídios de férias e de Natal podem alimentar este fundo em vez de desaparecerem no mês em que entram.
Armadilha 2: a quebra de rendimento na licença parental
Uma família que planeou o orçamento com dois ordenados completos entra na licença parental com mais despesas do que antes. Antes de contarem com o mesmo rendimento, confirmem na Segurança Social quanto vão receber em cada modalidade e refaçam o orçamento para o cenário "um ordenado mais o subsídio" três a seis meses antes, não na semana do parto.
Armadilha 3: a inflação do estilo de vida com filhos
Quando o rendimento sobe, é fácil subir também as despesas com os filhos, e não só porque os miúdos crescem. O colégio em vez da escola pública, o campo de férias mais caro, mais uma atividade extracurricular. Cada escolha pode fazer todo o sentido. O problema aparece quando a soma passa o que a família consegue pagar sem que ninguém o tenha decidido, porque cada despesa era "só um bocadinho mais". Explicamos este mecanismo no guia porque é que não consigo poupar dinheiro.
Mito vs. realidade
Mito: "Quando os miúdos crescerem, as finanças acalmam."
Realidade: os custos dos filhos não desaparecem com a idade, mudam de forma. A creche dá lugar às atividades, às explicações, ao telemóvel e às visitas de estudo. A estabilidade financeira de uma família com filhos vem de acompanhar as despesas, não do calendário.
Como gerir o orçamento familiar com filhos: plano passo a passo
O orçamento de uma família com filhos difere do de uma pessoa sozinha sobretudo na complexidade: mais contas, mais categorias, mais pessoas a gastar. O plano abaixo reduz essa complexidade ao mínimo.
Passo 1: uma só vista de todas as contas
Soma todas as entradas do mês: os ordenados líquidos dos dois pais, o abono de família se o receberem e outros rendimentos regulares. Depois junta as contas dos dois pais numa só ferramenta. Se cada um tem conta num banco diferente, o guia sobre como ver várias contas bancárias num só sítio mostra como. Sem isto, não há quadro completo.
Passo 2: lista os compromissos fixos
Renda ou prestação do crédito habitação, luz e gás (EDP, Galp ou outro fornecedor), água, o pacote de telecomunicações da MEO, da NOS ou da Vodafone, a creche ou o infantário, os seguros. Muitos chegam por débito direto, todos os meses, sem que ninguém decida nada. Subtrai-os ao rendimento. O que sobra é a margem de manobra.
Passo 3: cria a categoria Filhos
Uma categoria própria para os filhos, com subcategorias para escola e atividades, roupa e calçado, saúde e lazer. Uma vez por mês vês o custo real de criar os miúdos, em vez de um valor diluído entre supermercado, vestuário e farmácia.
Passo 4: abre o fundo anual
Uma conta à parte para as despesas anuais e sazonais: regresso às aulas, campos de férias, seguros, IUC, IMI. Uma transferência fixa no dia em que cai o ordenado acaba com as surpresas de setembro e de dezembro. Se ainda não tens uma reserva para imprevistos, começa por aí: o guia sobre como criar um fundo de emergência explica quanto e como.
Passo 5: revisão semanal de cinco minutos
Semanal, não mensal. A revisão do fim do mês chega sempre tarde de mais. Cinco minutos ao domingo: olhas para as categorias, vês se o plano aguenta e corriges já. Uma app que sincroniza as contas sozinha faz a recolha por ti; tu só olhas.
Em vez de quatro apps de banco, uma pergunta
Liguem as contas dos dois e perguntem à Martia, em português, "quanto gastámos com os miúdos em maio?". A resposta vem das transações reais, sem vasculhar extratos.
Orçamento familiar com filhos: quanto pôr em cada categoria?
Nenhuma regra de percentagens substitui acompanhar as tuas despesas reais durante dois ou três meses. Mas uma proporção de referência ajuda a ver se estás claramente fora do padrão, e onde procurar folga.
A regra 35-20-15-10-10-10 para famílias
Não é um dogma. É um ponto de partida para confirmar:
- 35% Casa: renda ou prestação, água, luz, gás, telecomunicações
- 20% Alimentação: supermercado e refeições fora
- 15% Filhos: escola, atividades, roupa, saúde e o fundo anual
- 10% Poupança: a reserva para imprevistos primeiro
- 10% Transportes: combustível, passes, portagens, seguro e manutenção do carro
- 10% Resto: lazer, férias, roupa dos adultos, imprevistos
Uma nota honesta: em Portugal a habitação já pesa 39,3% da despesa média de um agregado (INE, IDEF 2022/2023). Para muitas famílias, os 35% são um objetivo, não o ponto de partida. Se a casa leva mais de 40% do rendimento, o orçamento está apertado na estrutura, e cortar nas outras categorias não chega. Para uma divisão mais simples em três blocos, vê também a regra 50/30/20 aplicada ao orçamento familiar.
App de orçamento para uma família de quatro: comparação
Para uma família com filhos, o que importa numa app de finanças é diferente do que importa a uma pessoa sozinha: ver as contas de vários bancos no mesmo sítio, separar as despesas com os filhos e dar acesso aos dois pais sem expor tudo a ambos.
Ferramentas de orçamento familiar disponíveis em Portugal (preços e estado lidos a 30 de agosto de 2026).
| Ferramenta | Como chegam os movimentos | Limitação principal | Preço |
|---|---|---|---|
| Martia | Open banking, automático, contas dos dois pais | É paga desde o início | 9 €/mês ou 59 €/ano |
| App do banco (Caixadirecta, App Millennium) | Associa contas de outros bancos | Só para clientes desse banco | Grátis |
| Spendee | Sincronização automática; Portugal está na lista de países | Interface em português do Brasil | Premium 5,99 €/mês ou 39,99 €/ano |
| Boonzi | Importação de extratos | App móvel sem atualizações desde 2020 | Desktop 39,90 € (licença única) |
| Caravel | Registo manual, por princípio | Cada movimento escrito à mão | 0 € ou 25 €/ano |
| Folha de cálculo | Escreves ou copias | Exige disciplina e tempo | 0 € |
As apps dos bancos portugueses fazem mais do que se pensa: a App Millennium, por exemplo, associa contas de outros bancos e deixa criar orçamentos por categoria. O limite é que essa vista pertence a um banco, e numa família em que cada pai tem o seu banco isso raramente encaixa. A comparação completa das apps disponíveis em Portugal está no guia da melhor app de orçamento familiar em 2026, e a do Spendee em alternativa ao Spendee.
Como gerir as finanças da família em 2026: a app na prática
Gerir o dinheiro da família fica mais simples quando, em vez de percorrer quatro históricos de movimentos (a conta de um pai na CGD, a do outro no Millennium bcp, o cartão de crédito, a conta poupança), fazes uma pergunta e recebes uma resposta.
A Martia liga-se por open banking aos bancos portugueses, como a CGD, o Millennium bcp, o BPI, o novobanco, o Santander e o ActivoBank, e à Revolut. Cada pai tem a sua conta Martia e escolhe que contas entram no espaço partilhado da família; as conversas de cada um com a Martia nunca são partilhadas. Como funciona a partilha a dois está explicado no guia sobre orçamento partilhado sem conta conjunta.
As perguntas que os pais fazem de facto
"Quanto gastámos com os miúdos em maio, nas duas contas?" Uma resposta, de todas as contas partilhadas, sem somar à mão. "Conseguimos pagar as férias de agosto sem mexer na poupança?" A Martia olha para as despesas dos últimos meses e para os saldos. "Quanto pagamos por mês pelas atividades do mais novo?" Um filtro pela categoria Filhos e pelo descritivo dos movimentos.
Não é um treinador financeiro. É uma observação, como um espelho. O que fazes com os números é contigo.
Fundador da Martia
Do fundador
Construí a Martia porque tinha seis contas e zero controlo. Com a minha companheira eram dois bancos diferentes, dois cartões, uma casa e a mesma pergunta todos os meses: "de onde vem este saldo negativo?" A app do banco não ajudava, porque só via o seu pedaço. A folha de cálculo pedia atualizações. A Martia resolveu esse problema concreto: uma vista, dois bancos, uma pergunta.
Uma conversa em vez de quatro apps
Liguem as contas dos dois pais e comecem a fazer perguntas sobre o orçamento da família, em português. A Martia responde com base nas vossas transações reais.
Perguntas frequentes
Quanto gasta por mês uma família em Portugal?
Segundo o Inquérito às Despesas das Famílias do INE (2022/2023), a despesa total média de um agregado em Portugal é de 23 900 € por ano, cerca de 1 992 € por mês. A habitação leva 39,3% desse valor, a alimentação 12,9% e os transportes 12,1%. É uma média de todos os agregados, com e sem filhos, por isso uma família concreta pode ficar bem acima ou bem abaixo. Como referência de mínimo, o limiar de risco de pobreza para dois adultos e duas crianças ronda os 1 518 € por mês (cálculo a partir do INE, rendimentos de 2024). O número que conta é o da tua casa, medido nas tuas contas durante dois ou três meses.
Como fazer um orçamento familiar com filhos, passo a passo?
Faz-se em cinco passos. Primeiro, soma os rendimentos líquidos dos dois pais e junta as contas de ambos numa só vista. Segundo, lista os compromissos fixos: renda ou prestação do crédito habitação, luz, água, gás, pacote de telecomunicações, creche ou infantário, seguros. Terceiro, cria uma categoria Filhos com subcategorias para escola e atividades, roupa, saúde e lazer. Quarto, abre um fundo anual para as despesas que chegam uma vez por ano, como o regresso às aulas ou o IUC do carro, e alimenta-o todos os meses. Quinto, compara o plano com a realidade uma vez por semana, durante cinco minutos, em vez de esperares pelo fim do mês.
Qual é a melhor app de orçamento para uma família com filhos?
Para uma família, a app certa junta as contas dos dois pais, categoriza as despesas automaticamente e deixa cada um decidir o que partilha. As apps dos bancos portugueses, como a Caixadirecta ou a App Millennium, já associam contas de outros bancos, mas só para clientes desse banco. O Spendee tem carteiras partilhadas, mas a interface está em português do Brasil. O Boonzi importa extratos e a Caravel é manual por princípio. A Martia liga-se aos bancos por open banking, tem um espaço partilhado em que cada pai escolhe que contas entram e responde em português a perguntas como quanto gastámos com os miúdos este mês, com base nas transações reais.
Quanto devo pôr em cada categoria do orçamento familiar?
Um ponto de partida razoável para uma família de quatro é a regra 35-20-15-10-10-10: 35% para a casa, 20% para a alimentação, 15% para os filhos, 10% para poupança, 10% para transportes e 10% para o resto. Não é um dogma, é uma referência para veres se estás muito fora do padrão. Em Portugal a habitação já pesa 39,3% da despesa média de um agregado (INE, IDEF 2022/2023), por isso para muitas famílias os 35% são um objetivo e não o ponto de partida. Antes de fixar percentagens, acompanha as despesas reais durante dois ou três meses e ajusta a regra aos teus números.
Os dois pais podem usar a mesma app de finanças?
Sim, desde que a app junte contas de bancos diferentes e trate a partilha como uma escolha, não como uma obrigação. Na Martia cada pai tem a sua conta, liga os seus bancos por open banking e escolhe que contas entram no espaço partilhado. Podes partilhar a conta por onde pagas a creche e o supermercado e deixar de fora a conta poupança. As conversas de cada um com a Martia nunca são partilhadas. O resultado é uma vista das despesas da família com as contas dos dois, mesmo que um tenha conta na CGD e o outro no Millennium bcp.
Como categorizar as despesas com os filhos numa app?
Usa uma categoria principal Filhos e, se quiseres mais detalhe, subcategorias para escola e atividades, roupa e calçado, saúde e lazer. Numa app com categorização automática, os pagamentos mais típicos entram sozinhos: na Martia, movimentos com creche, infantário ou propinas no descritivo, e compras em lojas como a Zippy, a Chicco ou a Prénatal, vão para Filhos. O que a app não reconhece à primeira, corriges uma vez. Ao fim de um mês vês o custo real dos filhos num só número, em vez de o teres espalhado por supermercado, vestuário e saúde.
O que fazer com os subsídios de férias e de Natal no orçamento familiar?
Em Portugal o ordenado é pago 14 vezes por ano: 12 meses mais o subsídio de férias e o subsídio de Natal, normalmente no verão e em dezembro, ou repartidos em duodécimos pelos 12 meses. Numa família com filhos, estes dois pagamentos são a forma mais natural de alimentar o fundo anual: o regresso às aulas em setembro, os campos de férias no verão, as prendas de Natal, o IMI e o IUC. Se os subsídios chegam em duodécimos, o mesmo raciocínio aplica-se mês a mês: separa a parte extra logo que entra, em vez de a deixares misturar-se com as despesas correntes.
Fontes
- INE (2023), Inquérito às Despesas das Famílias 2022/2023: despesa total anual média por agregado de 23 900 €, habitação 39,3%, ine.pt
- INE (2025), Inquérito ao Emprego: ganho mediano mensal líquido de 980 € em 2024, edustat.pt
- INE (2025), Contas Nacionais Anuais, resultados finais 2024: taxa de poupança das famílias de 12,5%, gee.gov.pt
- INE (2025), Inquérito às Condições de Vida e Rendimento: limiar de risco de pobreza de 8 679 € por ano por adulto equivalente (rendimentos de 2024), ine.pt
- Apple App Store Portugal (2026), Spendee: preços da subscrição em euros, consultados a 30 de agosto de 2026, apps.apple.com
- Boonzi (2026), produto e preços, boonzi.pt
- Caravel (2026), planos e registo manual, thecaravelapp.com